quinta-feira, 20 de junho de 2019

Lola é um verdadeiro Milagre Eucarístico

 Lola e seu diretor espiritual padre Paulo Dionê Quintão.  A autoria  da fotografia me é desconhecida


Lola é um verdadeiro Milagre Eucarístico

A melhor biografia da Serva de Deus Floripes Dornelas de Jesus, a Lola.

Somente uma alma culta, adoradora da Santíssima Eucaristia e de vivência cristã exemplar, como a de Graça Pierotti,  seria capaz de traduzir o que leu dos escritos de Claudio Reis, rio-pombense culto e de alma verdadeiramente piedosa, e do testemunho do padre Paulo Dionê Quintão diretor espiritual da Lola nos seus últimos anos. Uma leitura agradável e fiel a tudo que vimos e ouvimos falar sobre a  nossa Lola ao longo todos os nossos muitos anos.

Que Deus seja bendito e adorado pelos carinhos com que nos faz re-descobrir peças do seu inesgotável tesouro de graças.

Que este texto ajude a acelerar o  processo de beatificação da nossa Lola, uma vez que é baseado em dados concretos e escritos por pessoas ilibadas  e de comprovada  fidelidade à Igreja.  

No  seu livro “Milagres e Testemunhos Eucarísticos” a, publicado em 2006, a escritora Graça Pierotti, dedicou 10 páginas para falar sobre a nossa Lola.


Eis o que ela escreveu, da página 196 à 205 :


“Floripes Dornelas de Jesus, - Lola

Em resposta à informação  sobre os acontecimentos em torno de Floripes Dornelas de Jesus, o órgão do Vaticano comunicou (1992) que, “vivendo exclusivamente da Santa Eucaristia, só havia registro de cinco casos; dois dos quais radicados na Europa e, da Três Américas um único caso: o de Floripes Dornelas de Jesus”, a nossa Lola, como é mais comumente conhecida.

Para apresentar aqui a extraordinária vida de Lola, apesar de nossa muitas pesquisas, conseguimos apenas o material que nos enviou Norma Gribel, irmã da extraordinária Maria Helena Gribel, que na sua longa e dolorosa luta contra um câncer, levou com alegria e entusiasmo tantos e tantos pacientes na Clínica São Carlos (RJ) à fé e ao amor a Jesus crucificado. Do referido material utilizamos aqui uma ótima “Pequena biografia de Floripes Dornelas de Jesus”, de autoria de Cláudio Reis, ainda datilografada em vinte e cinco páginas, e uma outra folha, igualmente datilografada, intitulada “Simples e profundamente bela ( refere-se à vida de Lola) assinada pelo Padre Paulo Dionê Quintão - Vigário Episcopal; e sete páginas soltas, com testemunhos de graças recebidas por intercessão de Lola.

Lorpices Dornelas de Jesus nasceu em 27 de junho de 1013, última dos treze filhos ( seis homens e sete mulheres) do casal Joaquim e Deolinda Dornelas de Jesus. Floripes, ou melhor, Lola, como sempre fie e ainda é conhecida, nasceu em Mercês, estado de Minas Gerais.

Boa família roceira, cristã, simples e trabalhadeira; casa de fazenda grande no meio do terreno, cercada pela paz, belezas e riquezas da natureza que tão bem fazem às almas. Cada membro da família tinha suas tarefas diárias, distribuídas pelos pais, para o bem de todos; uns no campo, outros, as moças, nas lidas da casa. 

Ãs 18 horas terminava o trabalho; o chefe da casa reunia todos na grande sala dos antigos casarões e, com grande devoção, recitava o Rosário da Imaculada Virgem Maria. Foi este terço rezado em família que fez nascer na menina caçula uma devoção especial a Nossa Senhora, de tal sorte que ela dirá, aos 19 anos, ao ingressar na Congregação Mariana: “dia feliz em que me aproximei do altar para receber a fita de Filha de Maria; que alegria senti no coração!”Aos domingos iam todos à Missa das 8h na Igreja matriz de São Manoel do Rio Pomba e todos comungavam.

Certo dia, Lola, já moça com 19 anos, ao subir bem no alto de uma jabuticabeira para colher os melhores frutos, se desequilibra num galho mais tênue que se verga e a faz escorregar de galho em galho até cair sobre uma cerca de bambus  que passava sob a jabuticabeira. Desmaiada foi levada para casa onde o pai chamou o médico. A moça volta a si com dores lancinantes, ferimentos e forte hemorragias. Logo foi contatada que alemão atingira terminações nervosas da coluna vertebral com consequente paralisia dos membros inferiores.

Rodeada pelas atenções e carinho dos seus, Lola foi submetida a toda sorte de tratamentos. Nenhum lhe devolveu os movimentos dos membros inferiores; os remédio, para minorar as dores, causavam-lhe náuseas e vômitos e as injeções muitas vezes voltavam pelo buraco da agulha.

Variavam a alimentação na esperança de uma melhora, mas aos poucos tiveram que desistir; ficou reduzida a um caldo de cidras que também teve que ser abolido. Além de não se alimentar e nada beber, Lola também não sentia mais sono. Mas, para a surpresa geral, não estava definhando, pelo contrário, revelava-se cada vez mais lúcida e até bem disposta, apesar das dores que, em vez de obstáculos, eram encaradas com certa alegria. 

É que Floripes foi procurar e achou a verdadeira saúde, o verdadeiro vigor do seu ser na oração, alimento e vigor das nossas almas, princípio espiritual e fundamento do nosso ser. Ah! Se em vez de tantos cuidados, receitas, remédios, ginásticas, dietas, regimes e até cirurgias - algumas bem perigosas - para melhorar a saúde, o bem estar e beleza do corpo, despendendo rios de dinheiro, tempo precioso, propaganda de toda sorte, etc, cuidássemos mais, ou, primordialmente, de nossa vida espiritual  - princípio vital de nosso ser humano - quão mais felizes seriamos nós!

Foi o que nossa Lola descobriu. Rezando, meditando e lendo sobre a vida dos santos ela vai encontrar a pérola rara das parábolas do reino ( Mt 13, 44), o único necessário na vida, que Jesus nos ensinou ( Lc 10,42).

Começa por dar um sentido aos seus sofrimentos, oferecendo-os para a salvação de sua alma e depois a de todos aqueles que  a procuravam. Com o consentimento do seu vigário, Padre Gladstone Batista Galo, suspende qualquer alimentação para viver somente da Eucaristia, que ele lhe levava diariamente. Manda retirar o colchão de sua cama e, sobre tábuas, recostada sobre almofadas ficará ela pelo resto de sua vida (mais de cinquenta anos).

Eram tantas as provas de um clima de tatos espirituais envolvendo Lola, que facilmente se constatava a veracidade das palavras de Jesus: meu corpo é verdadeiramente uma comida.

Para afastar qualquer dúvida sobre o jejum absoluto de Lola o Padre Vigário organizou uma equipe de senhoras de sua inteira confiança que por algum tempo se revezaram, dia e noite, junto a paralítica  e confirmaram que realmente Lola não tomava nenhum alimento.

Ãs orações, leituras de livros de espiritualidade e de vida de santos Lola intercalava trabalhos manuais: bordados de minúsculas flores e ramos montados com paciência e perfeição que causavam admiração, e hoje são relíquias de estimação para os que as possuem.

Entregou-se aos cuidados de sua Mãe do Céu e esta aos poucos a foi levando ao Sagrado Coração de Jesus. Lola compreendeu, então, que estava irremediavelmente presa àquela torrente de amor que jorra incessantemente do Rei e Centro de todos os corações: o Sagrado Coração de Jesus. E por Ele a paraplégica vai trabalhar arduamente \, alegremente, serena e perseverante, pelo resto de seus dias.

Com o correr dosa anos, os irmãos foram casando, constituindo família e deixando o grande casarão. Uma das irmãs entrou para a congregação das Servas do Sagrado Coração, sediada em São Paulo. Outra, Dorvina, resolveu dedicar-se inteiramente à irmã paralítica, compreendendo que, através do eu sofrimento, Deus parecia querer mostrar ao mundo materializado a beleza, a força, da fé, a alegria, a paz e a felicidade daqueles que se entregam à sua santa vontade.

Se Dorvina compreendia a santidade da irmã, esta também compreendia a grandeza do  desapego de Dorvina. Assim, ambas experimentavam a doçura das palavras de Nosso Senhor: prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão.  

No grande casarão só ficaram, então, Lola e Dorvina. Mas o movimento era intenso pois tão logo Lola entregara seus sofrimentos ao Sagrado Coração de Jesus, os parentes, as pessoas, amigas e os vizinhos começaram a procurá-la para pedir-lhe orações e conselhos espirituais; começaram também a circulara notícias de graças obtidas: curas de doenças, operações cirúrgicas que, à ultima hora, não eram mais necessárias, casais que se reconciliavam, inimizades que se desfaziam; enfim, tudo indicava uma assistência espiritual às orações e pedidos dirigidos à Lola. Mas, além de ouvir com interesse os desabafos e as aflições dos que a ela recorriam, Lola rezava com eles e até “marcava hora e dia para rezar rezarem juntas naquela intenção, mesmo que estivessem distantes”. 

A todos recebia com humilde simplicidade, “o que deixava seus interlocutores à vontade. Presença leve e atenciosa com todos, diz Padre Paulo Dionê Quintão, e continua: “possuía uma simpatia que transbordava em gestos e nas palavras; uma inteligência e uma perspicácia colocadas sempre a serviço de Deus, através do seu jeito simples de ser. Possuidora de autêntica consciência crítica, sabia muito bem discernir os acontecimentos. Sua pureza de coração emanava da graça de Deus e nunca de ingenuidade. Sofria muito, porém, não perdia a paz e serenidade. Muito mais se teria a destacar de seus valores pessoais!”.

Perto da janela do quarto de Lola beija-flores e pombas-rolas fizeram seus ninhos. Aos poucos foram ele entrando no quarto de Lola, afeiçoando-se a ela, pousando no seu leitor, diziam os mais íntimos, chegaram até a estabelecer um código de avisos para Lola: se o beija-flor apenas entrava no quarto, pousava nas flores e retirava era sinal de nada, além do quotidiano normal, aconteceria naquele dia, mas, se se ele se dirigisse à imagem do Coração de Jesus, voando em círculos, Lola podia chamar logo a Dorvina pra preparar o altar, pois o vigário estava a caminho para lhe trazer o doce Jesus Eucarístico. Era o que sempre acontecia, para a admiração de quem estivesse presente.

São muitos também os casos em que Lola, para surpresa de todos, previa acontecimentos futuros que, no tempo previsto por ela, se realizavam.

Na sequência natural dos fatos, a divulgação das graças obtidas através das orações rezada em conjunto pela pessoa interessada (mesmo à distância) e por Lola foi crescendo de tal modo que começaram a chegar ao portão da fazenda “dezenas, depois centenas, ea té milhares de pessoas”. Conta-se até que “pelos meados de 1948 o número chegou a 30 mil”.

O desejo de atender indiscriminadamente a todos que a procuravam e, mais, o abuso de repórteres, que inventavam mil meios de se introduzirem no quarto da paralítica com mini-máquinas fotográficas, levaram Lola a um sério esgotamento  e a perceber a necessidade de mudar de atitude em relação ao seu atendimento. Resolveu, então, receber somente sacerdotes. Mesmo assim, lá apareceram os insistentes repórteres disfarçados de padres.

Lola então, mandou que fechassem a porteira de acesso à sua propriedade com forte correntes e cadeados, e que as futuras visitas de sacerdotes fossem previamente marcadas.

“Aliviada em seu voluntário isolamento nem por isso se acomodou e se recolheu em meditação ou em pequenas obras de artesanato”. Ela já percebera que eram principalmente mulheres que procuravam para orações ou pedidos de orações, e que os homens, por timidez ou por consenso de que a prática religiosa era somente ou, preponderantemente, coisa de mulheres, se abstinham de qualquer participação nos atos religiosos, prejudicando, assim, seu crescimento espiritual. Com seu peculiar senso prático, no intuito de reascender a antiga devoção masculina ao Sagrado Coração de Jesus, entendeu que devia desvinculá-lo da devoção feminina. Expõe seu plano aos poucos senhores profundamente religiosos que conhecia, pede apoio de seu diretor espiritual, o padre Glastone B. Galo, e no dia 16 de agosto de 1954 era fundado, na Paróquia de São Manoel, o Apostolado da Oração masculino, com o lema inspirado pela própria Lola: Tudo por Vós, ó Sagrado Coração de Jesus.

Por esta obra Lola se desdobrou em orações, sacrifícios e mil iniciativas para incentivar, promover e divulgá-la, e de tal sorte que um anos depois já contra com 280 membros. Às suas expensas, mandou, ela própria, a confecciona, com maior esmero,, finamente bordadas, as fitas dos zeladores e zelados.

Dessa obra  surgiu, e cresceu rapidamente, outra, a da Adoração noturna no lar; com livretos escritos por padre Mateo dos Sagrados Corações, e, pouco depois, ainda outra, do Monsenhor Laureano - Honra, louvor e Glória ao Sagrado Coração de Jesus, também com livretos que, como os padre Mateo, foram doados às centenas aos que os procuravam. 

Todas essas atividades chegaram ao conhecimento do padre Romeu Ribeiro Faria SJ, diretor Arquidiocesano do Apostolado da Oração de Rio de Janeiro.  Este, indo várias vezes a Rio Pomba, ficou muito impressionado com a pessoa de Lola e coma atividade apostólica dessa paralítica, cravada num leito de dores sem comer, sem dormir, alimentando-se única e amorosamente da Eucaristia; serena e alegre, inteiramente entregue ao Coração de Jesus, que queria ver cada vez mais conhecido e amado.

Para melhorar o nível devocional dos devotos do Coração de Jesus, Lola incentivou outra publicações, além das já mencionadas e ainda traduções. Somam-se seiscentos os livros que andou reimprimir , e em todos fazia questão que fosse mencionada a jaculatória Sagrado Coração e Jesus eu confio em Vós, impressa também em santinhos distribuídos ã mão cheia. Depois da morte da Dorvina acrescentava um pedido: “lembrai-vos de Dorvina em suas orações”.

Mandando montar um oratório volante com tampa de vido contendo no interior a imagem do Coração de Jesus, que percorreria as casas de família, cremos poder dizer Lola foi pioneira dessa devoção hoje tão difundida com imagens Nossa Senhora.

Fruto de sua incansável atividade, foram também a veneração e a celebração das primeiras quinta-feiras do mês como preparação da Missa, e comunhão na primeira sexta-feira do mês pedida pelo Coração de Jesus à Santa Margarida Maria, origem do Apostolado da Oração. 

Aumentaram de tal sorte as confissões nesses dias que o padre Vigário precisou apelar para sete paróquias vizinhas, para atender ao numero sempre crescente dos que queriam se confessar. As comunhões das primeira sexta-feiras do mês chegaram a atingir a cifra de três mil e oitocentas.

Lola dedicava tosa sua incrível atividade ressaltando que tudo era feito pelo amor Coração de Jesus para que ele fosse sempre mais conhecido e mais amado; acrescentado as intenções mais importantes da Igreja: pela conversão dos pecadores, pelos consagrados nas ordens sacerdotais e religiosas e pelas famílias.

E foi assim, graças ao amor de Lola ao Divino Coração, que Rio Pomba ficou conhecida como a cidade do Coração de Jesus.

Nos últimos cinco anos de sua vida Lola teve a assistência médica do Dr. Cláudio Bomtempo. Este desde criança ficar impressionado com tudo o que ouvia falar de sua futura paciente. Desde a primeira vez que a examinou, exame demorado e minucioso, ficou intrigado com anormalidade de seu organismo, apesar dos trinta e tantos anos* que ela vivia sem comer , sem beber, sem dormir, e sofrendo constantemente  de dores lancinantes.

Consta no seu excelente livro sobre Lola, O que meu coração aprendeu, que, embora algumas vezes tenha ido visitá-la já tarde da noite, nunca a viu cansada e numa a viu bocejar. Dr. Claudio nos conta também com detalhes suas conversas com Lola. Conversas de alta espiritualidade ditas com a maior naturalidade na maior simplicidade. Assim são os santos.

Lola morreu em 1999, dia 9, primeira sexta-feira do mês de abril. “Seu sepultamento no dia 10 - diz padre Dionê Quintão - foi a festa de sua entrada no céu”, acompanhada aqui aterra por vinte e cinco padres, inúmeras religiosas e cerca de 15 mil pessoas que, na praça e Igreja Matriz  de  São Manoel, a aplaudiam demoradamente. 

A Missa de corpo presente foi concelebrada por mais de dez sacerdotes; depois, passaram em ordem e pacificamente diante da urna funerária cerca e 27 mil pessoas.

Por fim, a urna foi foi depositada sobre um carro de Bombeiros da cidade de Ubá e seguiu, acompanhada por por 15 mil pessoas, para o sepultamento “daquela que por mais de sessenta anos fora como uma lâmpada do Evangelho, que se coloca no candeeiro para iluminar uma das e que, por extensão, iluminou uma cidade, uma região e muitas outras regiões" "


Sobre a autora:



Graça Pierotti é carioca e mãe de numerosa família. Durante a juventude integrou a Ação Católica e foi assídua nos programas culturais no Centro Dom Vital, onde mais tarde tornou-se diretora.

Atuou como redatora no Bamba, jornal infantil da Tribuna da Imprensa; também foi diretora e redatora da revista Permanência , no Boletim GC  e 
ACES.

Com data experiência no ensino catequético  elaborou, aos poucos, um método diferenciado de apresentar a doutrina católica, concretizado em seu primeiro livro O que você precisa saber, com o prefácio de Dom Marcos Barbosa. A esta, seguiram-se outras publicações de doutrina e espiritualidade .Milagres e Testemunhos Eucarísticos foi escrito, segundo a autora, "em louvor ao Ano da Eucaristia”trazendo fatos ocorridos "em épocas e lugares diferentes; tendo como protagonistas pessoas distintas quanto ao sexo, idade e cultura; em circunstâncias igualmente diversas. Porém, todas apontando para um mesmo objetivo: a realidade e o poder de Cristo Jesus presente no extraordinário e transcendente mistério da Eucaristia proclamado inúmeras vezes como portentoso Mysterium Fidei!  O mistério da nossa fé.


Capa do livro:



Orelha do livro, que traz a apreciação do então Cardeal Ratzinger , o Papa emérito Bento XVI sobre seu livro "O que precisamos saber".




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