sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Seara sofista



Os sofistas foram, na Atenas antiga, mestres na arte do "bem falar”. Para eles, tudo seria relativo: “o homem é a medida de todas as coisas”, ou seja, o que se determinar que seja verdade "fica sendo”.  Tudo é uma questão de semântica, depende de como se usar as palavras certas  para distorcer evidências e fazer prevalecer o pensamento de interesse do indivíduo, hábil em retórica. Com sua habilidade, que podemos chamar de lábia, ganhavam muito dinheiro ensinando aos jovens de famílias ricas a usar de artimanhas no uso das palavras e na política. Ensinavam a manejar minuciosamente as técnicas de discurso, de maneira que as pessoas aderissem rapidamente a um, bem apresentado.  

Sócrates, contemporâneo deles, os contrapunha tanto em comportamento, pois não cobrava para ensinar, mas, essencialmente, na ideia;  ele se propunha a levar o interlocutor a questionar-se sobre a verdade dos fatos, dos princípios éticos ou dos sentimentos.  Para ele, o respeito ao outro era essencial. Seus sucessores, Platão e Aristósteles, aprofundaram estes conceitos que  constituem a base do conhecimento e do desenvolvimento do progresso humano no mundo ocidental

Ao longo dos séculos, o embate entre os que buscam a verdadeira sabedoria e os sofistas sempre aconteceu, de maneira relativa ao tempo e costumes culturais de cada época. Os oportunistas sempre procuraram tirar partido das virtudes e bens alheios em proveito próprio, ou ainda, conseguir sucesso sem o esforço correspondente.  Uma maneira confortável encontrada  foi a da crítica aos que produzem, com inteligência e trabalho físico, bens de todos os tipos; também aos que estudam realmente e baseiam seu conhecimento e afirmações em trabalhos de cientistas e pensadores do passado e, por conseguinte, alcançam sucesso. Estes tiveram seus estudos baseados  no princípio socrático do grande compromisso com a verdade, na busca de um conceito universal, que valesse para todas as pessoas, de todo tempo e lugar, ou seja, no que pode ser considerado ciência: o conhecimento novo que vai sendo depositado em cima do conhecimento anterior, a partir do qual foi conseguido, o que, posto em prática, gera progresso, conforto e bem-estar para toda a humanidade.

Os sofistas de todos os tempos, inconsequentes, sem outro compromisso a não ser com a  boa visão da própria imagem, preocupados somente em agradar a quem os ouve, estão sempre a agredir o raciocínio lógico e a inteligência alheia enquanto encenam expressões de grande seriedade. Apresentando expressões corporais de acordo com o conceito que desejam imprimir, proclamam obviedades, com as quais não há quem não concorde. Buscam atingir o emocional antes que o racional possa se manifestar. 

Da metade do século XX para cá, os sofistas ganharam notoriedade usando, sempre, seus recursos peculiares. Assim, o que era erva daninha foi, aos poucos foi se tornando a cultura principal. Os sofistas cooptaram muitos jovens nas universidades. Uma inversão de valores foi invadindo os meios culturais cujas produções induzem ao pensamento sofista, relativista, enquanto o mesmo é exaltado por professores, seus discípulos. Assim, como nas produções artísticas e, até mesmo nas igrejas…

As consequências estão estampadas nos  noticiários de todas as mídias. A violência intelectual e moral a que são submetidos, a insegurança produzida pelo relativismo, o sofrimento que traz a sonegação do conhecimento relacionado à alegria de produzir benefícios a serem usufruídos por outrem, faz o jovem viver num estado de carência de sentindo para a vida. 

Tais fatos tem conduzido a juventude à situações extremas em todas as áreas das ações humanas. Temos visto jovens de países considerados ‘top’ em civilização se alistarem no exército do Estado Islâmico e praticarem atrocidades homéricas. Presídios lotados de barbaridades. Pais que matam filhos, filhos que matam pais, jovens universitários que destroem patrimônio público e privado… Violência de todos os matizes. Onde está o progresso? A involução nos assombra… O que será do mundo dominado pelos sofistas? 

O querer saber o que é certo, o correto, já nasce com o ser humano.  Por tal motivo, mais que a água do planeta, é necessário, agora, preservar o pensamento crítico tão ensinado pelos mesmos sofistas nas escolas e nos meios culturais, e fazer uso dele dirigindo-o aos que fazem a sua apologia sempre direcionado suas críticas aos reais valores que edificaram a vida no mundo ocidental e, basicamente, de toda a humanidade. 

Os que tanto criticam os produtores de bens de todos de tipos, estão, realmente aptos a capitanear a imensa produção de bens necessários para que o povo possa continuar a evoluir?  Ou, são apenas exímios produtores de críticas, que sabem apenas usar as palavras e os gestos, mas que, no entanto, jamais produziram nenhum bem de consumo. Lembremos aqui os discursos dos candidatos nesta campanha eleitoral, principalmente ao Poder Executivo. Os argumentos sofistas prevalecerem em todas as notícias. Tanto nas desculpas esfarrapadas para justificar rombos em empresas estatais e justificar números indigestos sobre a economia, como para apresentar  velhos candidatos com novos argumentos, que, por sua vez, podem ser alterados a todo instante. Sofismas cada vez mais sofisticados...

Como somos portadores de um corpo biológico que demanda grande número de necessidades materiais, não podemos nos dar ao luxo de prestar atenção somente  nas ideias, nos "blá blá blás” de sofistas que pensam que podem governar apenas dando ordens…

Temos visto que a Europa, berço de tantos sofistas notáveis e cultuados, sofre grande recessão há anos.   Na maioria dos países europeus se vive, com  grande intensidade, sob a égide dos sofistas, proclamando o que a maioria gostaria de ouvir. Assim, os patrões são considerados odientos exploradores dos pobres trabalhadores, que têm cada vez mais direitos e menos deveres. Ou seja, cada vez se trabalha menos e tem mais direitos. Os patrões se tornam assim, espécimes em extinção, donde toda a grande produção acaba controlada por meia dúzia de empresários que podem bancar os altos custos empregatícios por meio de acordos e auxílios do poder central. Cada vez menos trabalho, cada vez menos empregos, cada vez maior o número dos que vivem da previdência social. O trabalho deixou de ser uma fonte de prazer, vindo da constatação de se ver capaz de realizar algo que beneficia todo o ecossistema do planeta.

 A realidade é dolorosa. Podemos observar que, na França, o presidente está em vias de ter se transformar em super-herói para atender a todos os direitos que proclamava ter o povo, antes da eleição, com cada vez menos recursos materiais…

Nos vizinhos do Mercosul, especialmente a Venezuela e a Argentina, onde os sofistas reinam há algum tempo, pode-se constatar o grande progresso na produção de pobreza. Incrível como  os sofistas reinantes conseguem submeter o povo à ditadura cubana. Mesmo através das notícias filtradas que nos chegam daqueles países, podemos ver que tiveram suas riquezas desmaterializadas para mandar recursos para Cuba,  mormente a Venezuela, e, no entanto, Cuba  continua a viver na miséria, há décadas. Transformou-se num ilha-museu, que tem seus edifícios preservados de todo cuidado e manutenção, assim como seus carros, que ainda são os mesmos de antes da revolução;  seus moradores também vivem como nos anos 50 do século passado. Mas, o que não faltam aos cubanos são os discursos sofistas. Seu comandante supremo, sempre os obrigou a ficar horas escutando seus discursos, os mesmos que pautam todas as matérias do único jornal da ilha. Cuba produz apenas “fidelidade à Fidel”, e é o maior exportador de clandestinos para Miami. 

Aqui no Brasil, os sofistas têm encontrado solo menos fértil para florescer, felizmente. Nosso povo tem mostrado que preserva o bom uso da inteligência em favor próprio. Haja vista as manifestações do ano passado. Não será qualquer discurso sofista, mesmo dotado de  alto grau de sofisticação, como tem aparecido, por mais habilmente camaleônico que seja, nos dará da Venezuela proximidade maior do que a geográfica. Esperança e confiança na inteligência brasileiria posta em uso.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Santa Mônica, exemplo de mãe cristã



No dia 27 de agosto, a Igreja comemora o dia de  Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho. Conta-se ela que foi canonizada por ter rezado durante muitos anos pela conversão de seu filho,  após a qual  ele se tornou um grande santo, cuja sabedoria é reconhecida mesmo fora dos meios religiosos.

Eis parte do que Santo Agostinho escreveu sobre ela, no capítulo XI do seu livro “ Confissões”:

O sonho de Mônica 

Mas estendeste tua mão do alto, e arrancaste minha alma deste abismo de trevas, enquanto minha mãe, tua fiel serva, chorava-me diante de ti muito mais do que as outras mães costumam chorar sobre o cadáver dos filhos, pois via a morte de minha alma com a fé e o espírito que havia recebido de ti.

E tu a escutaste, Senhor, tu a ouviste e não desprezaste suas lágrimas que, brotando copiosas, regavam o solo debaixo de seus olhos por onde fazia sua oração; sim, tu a escutaste, Senhor. Com efeito, donde podia vir aquele sonho, com que a consolaste, ao ponto de me admitir em sua companhia e mesa, fato que havia me negado porque aborrecia e detestava as blasfêmias do meu erro? 

Nesse sonho viu-se de pé sobre uma régua de madeira; e um jovem resplandecente, alegre e risonho que vinha ao seu encontro, triste e amarga. Este lhe perguntou a causa de sua tristeza e lágrimas diárias, não por curiosidade, como sói acontecer, mas para instruí-la; e respondendo-lhe ela que chorava a minha perdição, mandou-lhe, para sua tranqüilidade, que prestasse atenção e visse: por onde ela estava também estaria eu. Apenas olhou, viu-me junto de si, de pé sobre a mesma régua. 

De onde veio este sonho, senão dos ouvidos que tinhas atentos a seu coração, ó Deus bom e onipotente, que cuidas de cada um de nós como se não tivesses outro para cuidar, zelando de todos como de cada um! 

E como explicar o que se segue? Contou-me minha mãe esta visão, e querendo-a eu persuadir de que significava o contrário, e que não devia desesperar de ser algum dia o que eu era, isto é, maniqueísta, ela, sem nenhuma hesitação, me respondeu: “Não; não me foi dito: onde ele está ali estarás tu, mas onde tu estás ali estará ele também”. 

Confesso, Senhor, e muitas vezes disse que, pelo que me recordo, me abalou mais esta tua resposta pela solicitude de minha mãe, imperturbável diante de explicação falsa e ardilosa, e por ter visto o que se devia ver – e que eu certamente não veria sem que ela o dissesse – que o mesmo sonho com o qual anunciaste a esta piedosa mulher com tanta antecedência, a fim de consolá-la em sua aflição presente, uma alegria que só havia de se realizar muito tempo depois. 

Seguiram-se, efetivamente, quase nove anos, durante os quais continuei a me revolver naquele abismo de lodo e trevas de erro, afundando-me tanto mais quanto mais esforços fazia para me libertar. Entretanto, aquela piedosa viúva, casta e sóbria como as que tu amas, já um pouco mais alegre com a esperança, porém, não menos solícita em suas lágrimas e gemidos, não cessava de chorar por mim em tua presença em todas as horas de suas orações; e suas preces eram aceitas a teus olhos, mas deixava-me ainda revolver-me e envolver-me naquela escuridão. 

 Leia o livro

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Como a lógica de Deus é mais profunda e abrangente que pobre lógica humana.





Evangelho - Mt 20,1-16a -

 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: “O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça, desocupados, e lhes disse: ‘Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo’.

E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: ‘Por que estais aí o dia inteiro desocupados?’ Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. O patrão lhes disse: ‘Ide vós também para a minha vinha’. 

Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros!’Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles recebeu uma moeda de prata. Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão:‘Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro’.

Então o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti.Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?’ Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”.

sábado, 16 de agosto de 2014

Os que fazem Sorocaba, ontem, hoje e amanhã.

Todos os anos, grande parte do povo de Sorocaba se reúne na principal rua do seu centro antigo, para comemorar o dia da cidade, que neste ano faz 360 anos.

Tudo começa com as autoridades da cidade colocando uma coroa de flores junto à estátua do fundador Baltazar Fernandes. Ela fica onde a cidade teve origem, diante da pequena igreja, que em, seguida foi doada aos monges beneditinos por ele mesmo, que contava com a sabedoria deles sendo distribuída aos futuros sorocabanos. Os monges ergueram junto a ela o mosteiro, que ainda está lá.

Em 360 anos tem-se muita história para contar.

Conta-se que, nos anos 50 do século passado, o artista plástico suíço, Ettore Marangoni, trabalhava na Companhia Nacional de Estamparia, uma da indústrias têxteis da cidade, criando desenhos para estampar os mais finos tecidos. Certa vez chegou à sua mão um livro sobre a história de Sorocaba escrito por Aluísio de Almeida; o artista europeu ficou encantado. Mais ainda quando soube, por meio de um vizinho, que Aluísio era um sacerdote,  que morava além da ponte sobre o Rio Sorocaba e se chamava Padre Luís Castanho de Almeida; Aluísio de Almeida era seu pseudônimo literário, sob o qual escrevia para os jornais e publicava livros sobre a história de sua cidade. 

Dizem que uma bela amizade aconteceu entre os dois, os livros de Aluísio viraram fonte de inspiração de Ettore, que,  com base neles e em extensa pesquisa, produziu vários quadros que hoje estão nos museus e locais mais relevantes da cidade. 


A obra que ganhou mais importância foi a  figura do fundador, Baltazar Fernandes. Com base na sua tela "Fundação de Sorocaba”, surgiram as feições da estátua do fundador e o selo comemorativo dos 300 anos da cidade. 





Nos dias de hoje, o povo da cidade demonstra toda sua evolução conseguida a partir da sabedoria recebida de seus antepassados, mostrando à toda cidade o que seus alunos do ensino público têm aprendido e cultivado: história e cultura por meio das muitas artes... Sorocaba continua uma cidade abençoada.









sexta-feira, 15 de agosto de 2014

São Tarcísio, por Bruno de Giusti, na Catedral de Sorocaba



15 de agosto é dia de São Tarcísio.  Sua história é contada pelo pincel do atista plástico ítalo- sorocabano Bruno de Giusti no retábulo de uma capela em sua homenagem na Catedral de Sorocaba.









A pintura chega a ser assustadora, mostra, de um lado, um adolescente, recebendo a partícula da Eucaristia para ser entregue a alguém, como é feito ainda hoje, quando ministros extraordinários da Santa Comunhão levam este Sacramento às pessoas que não podem comparecer à igreja. Porém, do outro lado, vê-se uma verdadeira cena de violência, esse mesmo menino sendo apedrejado. Impressiona muito as expressões dos rostos, tanto no do apedrejado, como nos dos apedrejadores.
           
São Tarcísio foi coroinha. Na nossa pesquisa, encontramos um texto da catequese feita pelo Papa Bento XVI no dia quatro de agosto de 2010, quando recebia um grande número de coroinhas, vindo de todas as partes do mundo. Ele contou que não se tem muitas informações precisas a respeito da pessoa de São Tarcísio; sabe-se que ele viveu no terceiro século da história da Igreja, que frequentava as catacumbas de São Calixto, em Roma, era muito fiel à Igreja e amava muito a Sagrada Eucaristia. Acredita-se que tenha sido um coroinha, como são chamados os pequenos acólitos que ajudam os padres na celebração das missas.
            
Naquela época, tempo do imperador Valeriano, os cristãos eram muito perseguidos e eram obrigados a se reunir secretamente nas catacumbas ou casas particulares para celebrar a Missa e ouvir a Palavra de Deus. Já era costume naquela época levar a Eucaristia a prisioneiros e doentes, e este trabalho estava se tornando cada vez mais perigoso.
            
Um dia, quando o sacerdote perguntou quem estaria disposto a levar a Eucaristia, o jovem Tarcísio ofereceu-se. Foi muito advertido do perigo que correria; era considerado muito jovem para tal função, mas ele estava muito confiante. O sacerdote, então, entregou-lhe as partículas de hóstia recomendando–lhe que se lembrasse de que portava um tesouro celeste e ele era muito frágil, que evitasse ruas movimentadas e protegesse com fidelidade e segurança os Sagrados Mistérios. Tarcísio diz que morreria se fosse preciso para defendê-lo.
            
Ao longo do caminho encontrou alguns amigos pagãos que o chamaram para se divertir. Diante da sua negativa, suspeitaram de que trazia algo valioso junto ao peito, que parecia defender. Tentaram arrancá-la, mas foi em vão; tornaram mais agressivos quando souberam que Tarcísio era cristão; então, chutaram-no e lhe atiraram pedras, mas ele não cedeu. Foi socorrido, já moribundo, por um soldado que, secretamente, era cristão. Já morto, ainda segurava um pequeno linho com a Eucaristia. Foi sepultado nas catacumbas de São Calixto. Pelo registro do Papa Damaso, Tarcísio morreu no ano 257. Seu dia é comemorado em 15 de agosto, data de sua morte marcada no Martiriológico Romano. - (Texto do nosso livro "A Arte Sacra de Bruno de Giusti - Comunicação e Cultura na Catedral de Sorocaba, inédito.)




15 de agosto, dia de Nossa Senhora da Ponte



Hoje, dia da Assunção de Nossa Senhora, é comemorado também o dia de Nossa Senhora da Ponte, padroeira de Sorocaba, que  completa 360 anos de vida pujante.

"A vida de religiosidade de Sorocaba começou em 1654 quando “Baltazar Fernandes, vindo de Parnaíba com seus genros e quatrocentos administrados índios, construiu no alto da colina à esquerda do rio Sorocaba, a capela de Nossa Senhora da Ponte que em 21 de abril de 1660, “divinitus”, divinamente inspirado, entregou, com um patrimônio de terras e pessoas, à Ordem civilizadora do Ocidente”, a Ordem dos Beneditinos. Aspas para o historiador-mor de Sorocaba, Aluísio de Almeida, o também sacerdote católico Monsenhor Luís Castanho de Almeida, no seu livro “A Diocese de Sorocaba e seu Primeiro Bispo”. A cidade de Sorocaba nasceu da construção dessa capela, que hoje é a Igreja de Sant’Ana, anexa ao Mosteiro de São Bento.

Segundo o historiador e jornalista José Benedito de Almeida Gomes, assim que a primeira capela foi doada aos beneditinos, logo em seguida começou-se a construir a nova igreja, a atual Catedral de Nossa Senhora da Ponte, e a antiga imagem veio para a Matriz.  A imagem de Nossa Senhora da Ponte que hoje está no altar mor  veio de Portugal em 1771.   A bela Catedral que os sorocabanos têm em nossos dias, no começo era uma igreja bem simples que foi recebendo acréscimos e adereços ao longo dos anos.”( trecho do nosso livro A Arte Sacra de Bruno de Giusti - Comunicação e arte na Catedral de Sorocaba- inédito) 

Mas, quem é, para o catolicismo,  Nossa Senhora da Ponte?

Ela é a ponte entre a nossa miséria de virtudes e a sabedoria Onipotente de JesusDeus, 
entre a nossa pobreza de méritos e a complacência divina, entre a nossa ansiosa carência de infinito e  o amor onipresente  de Deus.

Ela é a mãe sempre presente, a onipotência suplicante que promove e faz acontecer a nossa união com Deus, na qual nos tornamos saciados e plenos de vida como o bebê Jesus que mostra a imagem.

Este pode ter sido o sentimento que o sorocabano, padre Lúcio Floro, demonstrou na letra do canto que foi musicado por Ir. Miria T. Kolling:

Vou seguro e feliz pela vida
A esperança reluz no horizonte
É a luz dos teus olhos querida!
Minha Nossa Senhora da Ponte
Refrão:

Descobri quando ainda pequeno
De alegria no céu uma fonte
Teu sorriso de Mãe tão sereno,
Minha Nossa Senhora  da Ponte

Sempre ao ver em teu colo o Menino
Oh!, Permite Senhora que eu conte:
Tenho ciúmes do Filho Divino,
Minha Nossa Senhora da Ponte!

Se eu cair na peleja tão dura
Não permita que eu te desaponte
Vem erguer-me, que és Mãe e ternura
Minha Nossa Senhora da Ponte!

Sendo Mãe ser irmão tu me faças,
Teu amor o egoísmo desmonte
Oh! Vem dar-me esta graça das graças
Minha Nossa Senhora da Ponte

Quando enfim Deus chamar-me, esse dia!
Que o porteiro do céu lá me aponte:
Vem pro céu quem no céu já vivia,
Tanto amou a Senhora da Ponte!

Que cidade te aclame Rainha!
Te consagre este povo uma igreja
Eu só rezo sozinho que és minha!
Minha  Mãe, meu amor, assim seja!



segunda-feira, 28 de julho de 2014

Arte Sacra - Exposição “Ícone, uma janela para o Céu”

  

O Espaço São Bento, mais uma vez, está repleto de arte de alto nível.  Acontece lá a exposição “Ícone, uma janela para o Céu”, de arte sacra bizantina, originária da Rússia,  com  obras de dois expositores: Padre Almir Flávio Scomparini, sorocabano e pároco em Boituva, e a senhora Julieta Luvizoto Nicolau, paroquiana de Cerquilho. A exposição, cuja abertura aconteceu na noite de 25 último, fica até o dia três de agosto próximo, e faz parte das comemorações dos 90 anos de criação de nossa (Arqui) Diocese. 

 As obras, que ainda hoje são “escritas” usando as mesmas técnicas e materiais usados na era medieval, foram muito apreciadas pelas pessoas presentes na vernissage; mais ainda depois ouvir dos expositores, numa ilustrativa palestra, como cada mínimo detalhe é importante nessa técnica. Segundo os artistas, trata-se de um trabalho de ascese espiritual no qual se encontram o enlevo do espírito pela oração, a disciplina em aplicar as técnicas dentro de rigorosos trâmites e a aplicação dos dons recebidos de Deus dentro de um espírito de obediência às normas e critérios do estilo da arte, praticados da mesma maneira desde o século V. Tão importante, e talvez mais ainda, é o conhecimento acerca das verdades da fé, que são representados em incontáveis detalhes incluídos em cada obra. 

Causou admiração saber que cada obra é feita em uma placa de madeira maciça, revestida de um tecido de linho, que representa o sudário, ou o pano que acolheu Jesus depois da sua morte na cruz, ou quando acabara de nascer como ser humano. Em seguida são aplicadas 12 demãos de gesso, 12 é um número muito significativo para a nossa fé, 12 são os apóstolos, 12 as tribos de Israel… A partir desse ponto a obra passa a ser escrita. "Para o iconógrafo cada quadro é  a palavra de Deus em cores e formas”,  explica Padre Almir; segundo ele,  para a Igreja  Oriental o ícone é mais do que um recurso catequético da evangelização, é um sacramental. 

A pintura é feita, usando como têmpera gema de ovo, misturada a vinho branco, que  umedecendo diversos pós de minerais coloridos, fornecem a pigmentação. A folha de ouro é também muito usada.

Nossa Arquidiocese está de parabéns com tão elevado nível de arte, que Padre Almir e Julieta usam como riquíssimo meio de evangelização. Padre Almir, que dá paletas sobre essa arte também em outras Dioceses, ensina a tão encantadora técnica em Sorocaba, em aula semanais. Entre seus entusiasmados  discípulos estão Antônio Rodrigues Chagas, Silvia Gomes, Ana Cecília Furlan, Maria Cipriana e Elenice Oliveira Silva.


Exposição “Ícone, uma janela para o Céu"
Local: Espaço São Bento, no Largo São Bento
Data: de 28 de julho a 3 de agosto.
Horário de segunda a sexta: 9h- 18h; sábado 8h-12 e 17h-20h e domingo 8h-12h
Entrada franca

Padre Almir Scomparini
Julieta L. Nicolau






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Giselle Neves Moreira de Aguiar