domingo, 11 de março de 2018

Sobral Pinto: Teologia da Libertação- O materialismo marxista na teologia espiritualista -



Prefácio do livro:  Teologia da Libertação - O materialismo marxista na teologia espiritualista - – Editora Lidador – Rio de Janeiro, RJ. – 1984.



Autor:   Heráclito Sobral Pinto   -   Um dos mais reconhecidos juristas do nosso país, tendo caracterizado as sua atividades públicas e profissionais pela defesa intransigente do respeito à Lei e à Justiça, e aos Direitos Humanos fundamentais, não tendo jamais discriminado entre seus clientes, sexo, cor, filosofia ou religião. Defendeu inúmeros perseguidos políticos das mais variadas correntes ideológicas ( inclusive das que combateu intransigentemente no plano filosófico e das ideias),especialmente durante os períodos de governo autoritário no país, como nos regimes do Estado Novo (1937/1945) e pós revolucionário (1964 ) . Dentre a gama variada de clientes, nestes casos os líderes comunistas Luiz Carlos Prestes e Henry Berger. Era católico fervoroso, de comunhão diária.

Sobral Pinto também foi agraciado com a Comenda de Cavalheiro da Ordem de São Gregório Magno conferida pelo Papa João Paulo II em dezembro de 1980:






  O Prefácio do seu livro:

    Código de Direito Canônico, recentemente promulgado por sua Santidade João Paulo II, Papa, preceitua no Cânone 209 § 1º:

"Os fiéis são obrigados a conservar sempre, também no seu modo particular de agir, a comunhão com a Igreja."

Esta comunhão com a Igreja é definida com clareza e precisão no Cânone 212 -- § 1º, nos seguintes termos:

"Os féis, conscientes das próprias responsabilidades, estão obrigados a aceitar com obediência cristã o que os sagrados Pastores, como representantes de Cristo, declaram como mestres da fé ou determinam como guias da Igreja."

É dever, então, de todo fiel, clérigo ou leigo, adotar, obedientemente, a fé definida pelo Magistério da Igreja e seguir, com idêntica disposição, a orientação e vida determinada pelo mesmo Magistério.

Não param nestes dois pontos as obrigações dos fiéis católicos, clérigos ou leigos. O já referido Cânone 212, no § 3, estatui categórica e lucidamente:

“De acordo com a ciência, a competência e o prestígio de que gozam, têm o direito e às vezes até o dever, de manifestar aos Pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja e, ressalvando a integridade da fé e dos costumes e a reverência para com os Pastores e levando em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas, dêem a conhecer essa opinião também aos outros fiéis."

Quando assim um fiel da igreja adquiriu, pelo estudo sério e legítimo, o conhecimento de que uma idéia, uma teoria, uma doutrina é incompatível com a fé cristã e, portanto com a teologia tradicional da Igreja Católica, é seu dever transmitir esse conhecimento aos outros fiéis, clérigos e leigos da sua Igreja.

Por obrigação de minha atividade profissional, ví-me na necessidade, desde mais de 50 anos, de estudar com seriedade, nas fontes, a filosofia, a sociologia e a política do marxismo. Isto desde a época em que a Rússia Soviética planejava a promoção da revolução mundial como condição imprescindível para a implantação vitoriosa, no seio da humanidade, do comunismo universal, em substituição ao imperialismo capitalista burguês.

Recolhi desse estudo o conhecimento certo de que o marxismo é absolutamente incompatível com a fé cristã e, por conseqüência, inteiramente impossível de ser utilizado pela teologia tradicional da Igreja Católica.

  
Com efeito, o marxismo afirma:

1º - que só a matéria existe;

2º - que o espírito como substância própria, independente da matéria não existe;

3º - que Deus não existe, tendo sido criado pelo homem à sua imagem e semelhança;

4º - que a vida sobrenatural, e as criaturas espirituais, não existem, sendo criações de poetas e de místicos exaltados;

5º - que a evolução da humanidade, do homem primitivo ao homem civilizado, nada tem com uma quimérica Providência, sendo antes, o resultado da "Potência decisiva dos fatos materiais, das forças materiais, das necessidades materiais", causas únicas, todas, de caráter econômico, responsáveis exclusivas das transformações da humanidade no curso da história;

6º - que o homem é puramente material, não sendo de nenhum modo imortal sua alma;

7º - que a lei fundamental da história é a luta de classe, que se expressa pela revolução dos oprimidos pelos opressores;

8º - que a religião, sobretudo a cristã, promete aos oprimidos compensadora recompensa num sobrenatural quimérico, caracterizando-se, assim, como o ópio do povo, devendo por isto, ser implacavelmente hostilizada e destruída.

    
Tais afirmações são, clara e categoricamente, contrárias às verdades da fé cristã, uma vez que as repelem e negam.


Os fiéis da Igreja, clérigos e leigos, instruídos pela fé, afirmam:

1º - que, além da matéria, existe também o espírito;

2º - que o espírito como substância própria, independente da matéria, tem existência real;

3º - que Deus existe, tendo criado o homem à sua imagem e semelhança;

4º - que a vida sobrenatural e as criaturas espirituais existem;

5º - que a evolução da humanidade, do homem primitivo ao homem civilizado, é obra generosa da Providência Divina, inspirada, pelos meios que lhe são próprios, á capacidade criadora da inteligência humana;

6º - que o homem é composto de matéria e espírito, sendo imortal a sua alma;

7º - que a lei fundamental da história é a cooperação das classes sob os preceitos severos da Justiça;

8º - que a religião cristã é de criação divina e de aceitação humana.

  
Adquirida, pelo estudo e exame das respectivas fontes, consoante os trabalhos que integram o texto deste opúsculo, a certeza da total e irredutível incompatibilidade do marxismo com a fé cristã, era de meu dever levar, respeitosamente, o resultado desse estudo e desse exame ao conhecimento do Pastor da minha Igreja Particular e aos outros fiéis, como determina o Cânone 212 § 3º do Código de Direito Canônico.

Demonstro, assim, que a publicação deste modesto opúsculo, com a provação expressa do Pastor da minha Igreja Particular de São Sebastião do Rio de Janeiro, Cardeal Dom Eugênio de  Araújo Sales, tem a única finalidade de advertir os católicos, clérigos e leigos, sem nenhum intuito polêmico, que a nossa fé e portanto, a teologia tradicional da nossa Igreja são absolutamente incompatíveis com o marxismo, em si e em todas as suas análises, teorias e doutrinas, por isto que este tem como único alicerce e fundamento, confessado abertamente, o mais puro, consciente e intransigente materialismo.
            

Neste sincero e leal opúsculo, deixei-me guiar, única e exclusivamente, por esta sábia advertência do  Santo Padre João Paulo II aos Bispos do Zaire em visita "ad limina": 

“São evidentemente possíveis algumas posições doutrinárias diferentes e mais ou menos legítimas. Mas são sem dúvida conscientes de um perigo: o de deixar que se constitua uma filosofia e um teologia da "africanidade" meramente autóctones e sem qualquer sem qualquer relação real e profunda com Cristo. Em tal caso, o cristianismo já não será mais que um ponto de referência simplesmente verbal, um elemento acrescentado artificialmente. 

A Europa medieval conheceu também alguns aristotélicos  que de cristãos não tinham mais que o nome, como, por exemplo, os Averroístas, que foram vigorosamente combatidos por São Tomás de Aquino e por São Boaventura. Atualmente existe o perigo nas tentativas feitas para constituir um hegeglianismo ou um marxismo pretensamente cristãos."( L'observatore Romano - Edição semanal em Português - 15 de maio de 1983 - pág. 4 - Não se pode delegar o Magistério da Igreja. )

O recentíssimo documento da Sagrada Congregação Para a Doutrina da Fé sobre a infiltração marxista na teologia da Igreja confirma, em tudo por tudo, o acerto dos trabalhos que o presente opúsculo divulga. Confio em que os católicos, clérigos e leigos, que se dignarem a tomar deles conhecimento, perceberão com nobreza o elevado e superior intuito que os inspirou: a defesa coerente e simples da pureza da fé católica.
                                              
                        Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1984.

                                      Heráclito  Sobral Pinto


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